Um texto meu que ADORO ler e reler.
A insustentável leveza “de ser o que se é”….
parafraseando: Georg e suas verdades…
por Thiago Eduardo
E o Georg que vive dentro da gente um dia vem, toma conta, manda e desmanda em nossos sentimentos, dita se o amor vale a pena ou não, se viver vale a pena ou não. Você chora, desesespera-se, grita ao mundo “Te odeio!”, arrepende-se e chora [de novo!] Você diz que nunca mais irá sentir-se feliz. Que o pôr do sol não é nada além de um simples pôr do sol e que a chuva não mais lava alma de ninguém. Aí, de um dia para o outro, de uma semana para a outra, você cansa de brincar de Georg e começa a [vi]ver a vida de uma outra forma. Você cansou de sentir-se coitado. De achar que você sofre mais do que qualquer ser humano na Terra. Certo ou errado? Amanhã ou hoje? Eu ou você?
Na vida, há os momentos de altos e baixos. De saber e não saber, ao mesmo tempo, no mesmo instante. Momentos de Rei e de servo. De amor e de desamor. Nós somos, em essência, o bem e o mal, juntos, na mesma carne, no mesmo coração. Somos o masculino e o feminino. Somos o eu e o você. Sofro e você sofre, não na mesma intensidade, mas sofre. O mundo derrama lágrimas e seu sorriso não mais é um belo e verdadeiro sorriso. O certo hoje é errado amanhã. O amor hoje é desencanto amanhã. “Não te amo mais… desde já”, e o mundo desaba, não se sabe o que fazer. E então, o que fazer da vida?
Para agüentar essa insustentável leveza de ser Georg [e não querer mais sê-lo, porém], tento entender o mundo e seus processos. Tento compreender as tristezas e mágoas do mundo. Simples? DE JEITO NENHUM! Porém eu vou tentando… tentando e buscando essas metáphoras da vida.
Eu me repito, me renovo, e me repito novamente. Certas idéias e certos ideais vêm, arrebatam meu coração, enchem-me de esperança, prosperam e se vão. Depois, eles voltam, mais elaborados, mais concisos, mais fortes, e não tenho vergonha de me repetir. Por isso, não se assuste se você já ouviu um discurso desses em meu blog.
Quero viver cada dia como se fosse o último, medindo, é claro, as consequências de um provável futuro. Quero experimentar a vida, senti-la na veia, pois a vida não é rascunho, é arte final. Não temos ensaios, temos todos os dias estréias. Dia após dia, a peça acaba quando dormimos e a cortina se abre novamente quando acordamos.

Como é, então, esse “viver como se fosse o último dia”? Bem, ao viver [ou tentar viver] seguindo esse ideal, eu não tenho medo de mostrar meus sentimentos. Se eu amo, digo, mostro, demonstro. Se não gosto, desgosto e tento gostar, e se mesmo assim não gostar, desgosto mesmo. Se tenho raiva, e se o dia raiar novamente, deixo a raiva de lado e não me culpo por tê-la sentido. Vejo os dias e as noites como divisões precisas de eras. Eras de conhecimentos. Eras de aprendizagens.
Vivendo cada dia da melhor forma possível [CARPE DIEM], tento sair do aquário, esse aquário em que vivemos, cheios de lugares comuns, onde as pessoas-peixes nadam, nadam e nadam mas não saem do lugar. Aquário que está cheio, cheio de hipocrisia, de falsos-amores, de falsos-amigos e falsos-familiares. Tento, cada dia, um pulo para fora desse aquário, ensaiando o momento da redenção final. Não aguento mediocridade. E é disso que fujo, e é isso que mais tem no Aquário.
Quero quebrar o aquário para poder viver a minha vida, minha tão sonhada vida, meus tão sonhados e desejados sonhos. No Aquário, isso é impossível.

… antes que seja tarde demais!